Ajudar e seus diferentes significados!

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Ajudar H

Não poderás ajudar aos homens de maneira permanente se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios.

Abraham Lincoln

De acordo com o Dr. David Daniels, todas as pessoas com o perfil 2 do Eneagrama,  denominadas como Doadoras ou Ajudantes, “aprendem a satisfazer as suas necessidades pessoais, tornando-se necessárias aos outros, dando-lhes aquilo que eles acham que eles precisam e querem. Com isso esperam que lhe façam o mesmo a eles. Passam a orgulhar-se de serem pessoas indispensáveis na vida dos outros”.

A atenção destas pessoas volta-se para o exterior negligenciando suas próprias necessidades.

Estas pessoas desenvolveram uma compulsão para ajudar, através da prática de ações que agradem aos outros e se iram quando não são reconhecidos por eles.

Quando fazem um trabalho de desidentificação da personalidade “falsa” que adotaram para sobreviver enquanto crianças, estas pessoas são generosas e prestativas.

Ajuda J

Para os “ajudantes” é importante perceberem que podem ser amados por aquilo que são, aprenderem a cuidar dê si mesmos e reconhecerem que não são indispensáveis aos outros, sem que haja algum mal nenhum nisso.

Habitualmente são pessoas adultas que, quando eram crianças, foram “treinadas” para ajudar, tendo sido reconhecidas sempre que o faziam ou, ao contrário, tiveram que se virar sozinhas e não querem que os outros passem pelo mesmo, tendo-se tornado muito solícitas para ajudar, mesmo quando essa ajuda não lhes é requisitada. Estas não são, no entanto, as melhores razões para ajudar.

Aclaremos agora o conceito de ajuda, o qual difere na maioria das vezes daquilo que estamos habituados a pensar.

Por exemplo, de acordo com os padrões da civilização ocidental, ajudar é confundido com, retirar as barreiras para que outros não sofram, fazer as coisas pelos outros, para lhes facilitar a vida, etc.

Ajudar E

Já para a maior parte dos povos orientais, ajudar significa dar a vara ou cana para pescar, desenvolver a compaixão e confiar nas capacidades do outro, acompanhando-o ao longo da experiência difícil que está a passar, ciente de que as dificuldades são naturais e fazem parte do caminho evolutivo de cada ser humano.

Há áreas em particular, onde a má interpretação do conceito de ajuda tem consequências mais desastrosas do que noutras como, por exemplo, no caso da educação escolar, nas relações pai-filho e na oferta de ajuda, normalmente remunerada, por profissionais da área psicológica, espiritual, etc. Estas são três áreas vitais da nossa vida, em particular as duas primeiras, por onde todos sem exceção passamos, incluindo até aqueles que não vivenciaram a infância com seus progenitores.

Sócrates, por aquilo que conhecemos através dos discursos de Platão, embora sem apresentar nenhuma definição de ajuda, demonstrou ao fazer uma releitura do conceito de maiêutica, conceito antigo, caro à obstetrícia que, era esclarecido quanto a esse tema da ajuda. Para ele a maiêutica tem como objetivo ajudar a dar à luz, não um bebé mas um ser pensante/pensador.

Ajudar A

Este aspecto de sua filosofia só por si, pode ser considerado como a chave para a compreensão do conceito de ajuda, no seu sentido mais profundo.

Poderíamos dizer que só há realmente uma ajuda, quando consideramos e respeitamos o outro enquanto ser humano responsável consciente ou inconscientemente, pela criação da sua realidade e por conseqüência capaz de modificá-la.

A ajuda que habitualmente prestamos, invalida ou nega o potencial do outro e reforça nosso ego, embora possa não parecer. Ajuda, além disso, nada tem a ver com pena, ou sentimento de que o outro é um coitado, antes pelo contrário.

Nos Analectos, Confúcio diz-nos que “o caminho de saída é o caminho através da porta”. Esta frase pode ter muitas leituras e entre elas a de que o caminho de saída é o caminho através. Assim, sempre que algum amigo nosso estiver triste porque algo lhe aconteceu, a melhor coisa a fazer talvez não seja consolá-lo, mas sim escutá-lo e deixá-lo expressar toda sua dor, até ele se libertar daquele peso.

Ajudar D

Isto mesmo nos é dito por Leo Buscaglia ”Às vezes ajudar significa simplesmente ouvir, sem julgamento, sem conselho.”

Ajudar pressupõe assim, adotar uma atitude compassiva para com o outro, apoiando-o no enfrentamento da sua dificuldade.

Igualmente, quando uma criança se magoa (sem risco de vida) talvez o melhor não seja pegá-la no colo ou dizer-lhe que precisa ter cuidado mas, enquanto chora, questioná-la sobre o que aconteceu e como, ainda que você tenha assistido a tudo!

Respondendo a uma pergunta sobre qual seria a melhor maneira de ajudar as pessoas, Krishnamurti disse “A melhor maneira é começar a se compreender e mudar-se a si mesmo. Neste desejo de ajudar o outro, de servir o outro, existem um orgulho e uma vaidade escondidos”

Para Krishnamurti não faz sentido ajudar outro, sem nos conhecermos e nos mudarmos a nós mesmos.

Ajudar F

Afinal sempre iremos ajudar o outro de acordo com o conhecimento e a experiência que acumulamos do passado e, se esta não tiver sido com base na consciência então, em vez de ajudar, estaremos a prejudicar, a criar mais sofrimento, ao impedir o outro de percorrer sua própria experiência e adquirir o respectivo aprendizado.

Rubem Alves dizia que “Quem tenta ajudar uma borboleta a sair do casulo a mata. Quem tenta ajudar um broto a sair da semente o destrói. Há certas coisas que não podem ser ajudadas. Tem que acontecer de dentro para fora.”

Se ao conhecimento de nós mesmos, juntarmos nossa própria cura, estaremos a contribuir ainda mais, para a cura do outro.

A história do Dr. Ihaleakala Hew Len comprova o que acabo de dizer.

O Dr. Len, curando uma parte dele mesmo, curou um pavilhão de criminosos loucos, sem sequer falar com eles.

 

Ajudar KImagem – Site: Fractal Enlightenment

Este aspecto, apesar de aparentemente poder contradizer o que foi dito acerca da responsabilidade de cada um no seu processo de cura, não faz mais do que confirma-lo. Ao me conhecer, conheço o outro e ao me curar curo o outro, ajudando-o de ambas as maneiras.

Concluindo, poder-se-ia dizer que o tipo de ajuda que habitualmente prestamos é a mais indicada para situações extremas que impliquem risco de vida imediata. Em todos os outros casos, a ajuda, deve considerar e respeitar o outro, possibilitando-lhe a tomada de consciência relativa à dificuldade que experimenta. No limite, em alguns casos a melhor ajuda pode até ser o não ajudar!

Abraços

Fernando

 

 

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