O observador interno

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O observador interno

Talvez este tema do observador interno nunca tenha sido tão pertinente para todos nós enquanto civilização, quanto nos dias de hoje.

Nesta época em que enfrentamos variadíssimos desafios a nível global, o desenvolvimento do observador interno, por cada um de nós a nível individual, pode ser uma prática decisiva para a ultrapassagem esclarecida, de alguns deles.

A cultura ocidental ensinou-nos e condicionou-nos a buscar fora as respostas para nossos questionamentos,  realização e dificuldades, sejam elas de caráter laboral, relacional, ou qualquer outro.

Para alimentar todo um sistema, nossa atenção foi e continua ser propositadamente direcionada para fora, para o lugar onde nunca encontraremos tais respostas.

A menos que mudemos o foco e abandonemos essa tentativa desesperada de busca de pseudo felicidade através da aquisição de um carro novo, do encontro da pessoa que “nos faz” felizes, da casa nova, etc. etc. etc., o nosso destino enquanto sociedade estará seriamente comprometido, como podemos facilmente constatar observando, por exemplo, o crescente grau de alienação da maioria dos jovens, através da utilização dos celulares.

Observador Interno !

É fundamental que o viver a partir do observador interno, se transforme numa prática individual regular de nosso dia a dia, tal como respirar, se alimentar, fazer a higiene pessoal, etc. Seria muito bom que antes de observar os outros, nos observássemos (mente e corpo)e vivêssemos nossa vida a partir de nosso centro!

Já passaram alguns anos, desde que Max Planck revolucionou o estudo da física, dizendo-nos : “Não existe o que chamamos de ‘matéria’, toda matéria surge e existe apenas em virtude de uma força que leva as partículas de um átomo a vibrar e manter equilibrado esse diminuto sistema solar que é o átomo. Temos de aceitar a existência de uma mente consciente e inteligente por trás dessa força. Essa Mente é a matriz de toda a ‘matéria’ ”.

Estudos da ciência védica, incluindo a realização de inúmeras experiências feitas em cidades onde o nível de criminalidade era elevado, corroboraram a teoria do campo quântico unificado, mostrando a importância da expansão do nosso campo eletromagnético individual na redução daqueles níveis.

Assim, os estudos de Planck, associados à ciência védica e algumas outras áreas de conhecimento antigo e contemporâneo, revelam-nos o poder e a responsabilidade que cada um de nós tem, na criação da realidade em que vivemos individualmente e, enquanto sociedade.

Observador interno

Algumas pessoas quando ouvem falar em voltar a atenção para dentro de si mesmos rejeitam-na, basicamente por dois tipos de motivos: medo do que possam perceber dentro delas e/ou medo de estarem a assumir uma posição egoísta ou narcisista.

A este propósito acho oportuno recordar o Prof. Clóvis de Barros Filho, quando diz que gostaria de ter sido professor dele mesmo e que se encanta com o que ele mesmo diz. À primeira vista pode soar estranho, mas procuremos observar a procedência de suas afirmações.

Quem é a única pessoa que acompanha você ao longo de sua vida?

Se a sua resposta for igual à minha: eu mesmo, então qual a estranheza de você gostar do que você diz, tal como o Prof. Clóvis afirma? Se você não gosta do que diz, então porque o diz? Se não gosta, então porque não muda aquilo que diz, de forma que passe a gostar?

Se sua resposta foi outra, não sei que dizer.

Na verdade talvez você nunca tenha parado para refletir sobre esta questão. Ou, se o fez, ainda não se apercebeu de sua verdadeira importância.

Observador da dualidade

Pode ainda considerar-se que quando você comunica algo, por absurdo ou incrível que possa parecer, a única garantia que você tem é que você está a comunicar para você mesmo. Nada garante que o seus interlocutor esteja a escutar o que você disse.

Por último: você viveria sua vida inteira junto de alguém que você não conhece? Quantos dias, horas, minutos você consegue estar junto de alguém que você não conhece? Então porque passa sua vida com você mesmo, sem se conhecer, verdadeiramente. E conhecer, aqui neste caso, não significa aquilo que vulgarmente dizemos, eu me conheço, sei que sou assim e não há nada que me mude. Esta não é mais do que uma afirmação que comprova que você não se conhece mesmo!

Helen Palmer diz-nos:”A idéia de que somos cegos para muita coisa em nosso caráter básico é comumente aceita em nossos dias. O desmascaramento de pontos cegos, de mecanismos de defesa e da dissonância cognitiva dentro da estrutura de nosso próprio caráter é uma questão vital para qualquer um que queira levar uma vida psicologicamente madura.”

Podemos deduzir desta afirmação que enquanto mantivermos nossa sensação de incompletude e andarmos distraídos procurando o que nos “falta”, ou a resposta para nossos questionamentos existenciais no exterior, andaremos longe de nos conhecermos e termos uma vida pessoal e social satisfatória.

Helen vai ainda mais longe ao dizer que aquele desmantelamento: “ É uma tarefa duplamente vital para quem busca se tornar aquilo que Gurdjieff denominava um ser humano real.”

Admitindo que nos dispomos a começar a olhar para nós mesmos, a questão que se nos coloca é: e como fazê-lo? Devido à extensão que esta reflexão já alcançou, será feita apenas uma ligeira e superficial abordagem.

Observador e Observado

Há muitas maneiras de fazê-lo, sendo importante que comece a observar e identificar seus próprios pensamentos e linguagem corporal.

Seu corpo está sempre transmitindo algo. Conhecer a sua linguagem, é um dos caminhos mais seguros para se conhecer a você mesmo.

Quanto aos pensamentos, Eckhart Tolle, convida-nos a experimentar o momento presente, como único ponto de verdadeiro poder em nossas vidas. Propõe-nos a pratica do agora, como forma de sairmos do emaranhado de pensamentos em que nos encontramos, quer recordando algo passado, quer criando expectativas para um futuro melhor.

Através do foco na respiração e do ancoramento no corpo, podemos observar os nossos próprios pensamentos. Através desta prática, vamo-nos desidentificando dos pensamentos e começamos a desenvolver o observador interno, ou foco de consciência, consciente de estar consciente.

Para uma futura reflexão, o observador (ou participante…) e o observado, serão a mesma coisa?

6 comentários sobre “O observador interno

  1. Benedito Ventura de Souza

    Em relação ao tema, li livros sobre como observarmos e controlarmos nossos pensamentos, atitudes, através de concentração, poderemos chegar a um nível bastante superior. Temos que mudar por completo, maneiras de pensar, repensar o modo como pensamos nosso eu interior,li exemplos de pessoas que ao alcançar esse tipo de nirvana védica, conseguia conhecer-se mental e materialmente, a ponto de adquirir poder para dominar além da mente seu próprio corpo, viajando dentro dele, é um poder tão forte que a pessoa é capaz de curar uma dor em qualquer parte do corpo, mas o que afirmo, não é proveniente do Ocidente, são culturas milenares, Orientais e de pessoas que seguem uma filosofia de vida bem diferente da que estamos acostumados,Sócrates com sua máxima, “CONHECE TE A TI MESMO” ficou famoso que esta frase foi escrita no alto da Acrópole em Atenas, confirmando que os sábios deram o aval de que era uma verdade eterna. E só temos a ganhar estudando a nós mesmo , percepções, respiração,pensamentos. Mais tarde Galileu Galilei, reafirmou essa frase de outra forma, mas com a mesma certeza, só seremos alguém, se primeiro conhecermos a nós mesmos. Ventura!!!.

    1. Fernando Autor da Postagem

      Benedito, agradeço sua reflexão! Para não corrermos o risco da maioria, que nasce, cresce e morre, sem ter a mínima ideia acerca de quem é, é de fundamental importância irmos “para dentro” para sabermos quem somos, ou melhor “o que somos”. Só a partir desta experiência é realmente possível viver uma vida consciente!
      Grato!

  2. Marcos Recchia

    Grande Mestre Fernando! Tudo bem? Bons temas sendo disseminados tem a capacidade de nos colocar num torvelinho constante. Esse do observador interno parece tão urgente quanto uma vida de bem estar todos os dias! Um abraço e saúde!

    1. Fernando Autor da Postagem

      Professor Marcos, bom dia! Espero que esteja bem e agradeço seu comentário. Concordo consigo quanto à pertinência do tema. Passar por aqui sem se saber o que se é, equivale a não se ter vivido. Abs.

  3. Renata Castro

    Bom dia, Fernando! Grata pela partilha. Acho que este post é um dos seus melhores posts, se não for o melhor. Não é tarefa fácil escolher um entre tantos outros excelentes. Parabéns!

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